CARTA À PASTORAL DA JUVENTUDE DO MEIO POPULAR – PJMP.


Queridas jovens e queridos jovens da PJMP,

querida coordenação nacional,


Recebo com alegria e esperança a notícia da escolha do novo Coordenador Nacional e do Secretário-Geral da Pastoral da Juventude do Meio Popular. 


Saúdo com carinho o companheiro Patrick Souza, de Goiás, e toda a equipe que assume essa missão tão bonita quanto exigente.

Antes de tudo, quero dizer com convicção: VIDA LONGA À PJMP! 


Parabéns à juventude que segue acreditando que é possível viver a fé cristã de forma encarnada, comprometida com o povo e fiel ao projeto libertador de Jesus.


A PJMP sempre foi, e continua sendo, uma das maiores referências da juventude católica popular no Brasil. Sua espiritualidade é profundamente enraizada na realidade concreta da vida do povo pobre, das periferias, do campo, das lutas por dignidade, terra, teto, trabalho e direitos.


Uma espiritualidade que não foge do mundo, mas o enfrenta com esperança ativa, organização e compromisso. Vocês levam a sério o testemunho dos Atos dos Apóstolos:

“O Espírito sopra onde quer.”

E, no caso de voces, Ele sopra, especialmente, onde há coerência entre fé e vida, oração e compromisso histórico.


A PJMP é herdeira de uma longa, bela e exigente tradição da juventude católica comprometida com os pobres e com a transformação do mundo.


Essa herança vem do início do século passado, quando jovens como Pier Giorgio Frassati testemunharam que a santidade passa pela amizade, pela alegria, pela simplicidade de vida e pelo compromisso concreto com os pobres — uma santidade vivida no cotidiano, na política, na cultura e na solidariedade.


Ela passa também pela força organizada da juventude da Ação Católica, especialmente no Nordeste brasileiro, que formou gerações inteiras de lideranças populares, sindicais, comunitárias e eclesiais, profundamente marcadas pela opção pelos pobres e pela consciência crítica.


Nos anos 1950 e 1960, essa chama se aprofundou na JEC, na JOC e na JUC, que ousaram unir fé, formação, leitura da realidade e compromisso social em um período marcado por profundas desigualdades e pela escalada do autoritarismo. Ali se forjou uma juventude cristã madura, politizada, solidária e comprometida com as grandes causas do povo.


Essa caminhada encontrou sua expressão mais radical, comunitária e popular nas Comunidades Eclesiais de Base — as CEBs — verdadeiro chão eclesial dos pobres, onde a Bíblia foi lida à luz da vida e a vida iluminada pela fé. 


Foi nas CEBs que nasceu uma Igreja encarnada, missionária, sinodal, popular e profética.


É desse ventre histórico, espiritual e pastoral que surgem as Pastorais da Juventude no Brasil — PJ, PJE, PJR, PJU — e vocês, resistentes da PJMP, que carregam até hoje a essência mais nobre dessas lutas: fé encarnada, organização popular, espiritualidade libertadora, compromisso político consciente e fidelidade inegociável aos pobres.


Justamente por amar essa pastoral e reconhecer sua importância histórica e atual, sinto-me no dever fraterno de reafirmar três cuidados fundamentais para essa nova etapa da caminhada.


O primeiro: cuidar para que nenhum tipo de vaidade — individual ou coletiva — contamine a relação entre vocês! Permaneçam fiéis aos princípios da comunhão fraterna, ao apoio mútuo e aos fundamentos da solidariedade como fundamento da existência da PJMP!


 Segundo: a pastoral não pode ter como princípio a busca por espaços que não estejam enraizados no _Amor Maior_ que está contido no Evangelho e na última e mais importante mandamento de Jesus Cristo: 


_“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. COMO EU VOS AMEI, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. Nisto todos reconhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros.”_

(João 13,34–35)


 A unidade deve ser sempre um valor a ser cultivado, mesmo quando ela exige renúncias pessoais. 


É preciso reconhecer, valorizar e agradecer aqueles e aquelas que, com maturidade espiritual e coragem, abriram mão da disputa em nome da comunhão e do bem coletivo. 


Não se deixem capturar por protagonismos vazios nem pela busca de reconhecimento pessoal. Na lógica do Evangelho, liderança é serviço, doação e cuidado. 


Que a PJMP seja sempre um testemunho vivo de que, quem mais ama, mais serve, e de que a concórdia, o diálogo fraterno e a comunhão são caminhos fecundos para a construção do Reino.


Quem assume responsabilidades assume também o peso do cuidado, da escuta e da coerência. 


Onde há humildade, o Espírito permanece e conduz.


O terceiro cuidado é não confundir a atividade política e partidária com a fé e a ação pastoral. 


A fé cristã tem implicações políticas claras, especialmente quando assume a opção preferencial pelos pobres e a defesa da vida. 


No entanto, a pastoral não é partido, nem pode ser instrumentalizada. A missão da PJMP é formar consciência crítica, animar o compromisso social e preparar sujeitos históricos livres, capazes de escolher seus caminhos com autonomia, discernimento e responsabilidade.


A força da PJMP sempre esteve exatamente nesse equilíbrio: fé encarnada, espiritualidade libertadora, compromisso social e autonomia pastoral.


Desejo, de coração, que essa nova coordenação siga fiel a essa mística, a esse método e a esse horizonte. 


Que a PJMP continue sendo espaço de formação, profecia, organização e esperança para a juventude popular e para toda a Igreja.


Caminhem com os pés no chão, o coração no povo e o olhar no Reino.


Sigamos juntos, porque quando a juventude se organiza, o Evangelho ganha corpo e a história começa a mudar.


Com abraço fraterno e esperançoso,


Toninho Kalunga

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