ORAR E FAZER POLÍTICA
ORAR E FAZER POLÍTICA
Quando Jesus chamou Herodes de raposa, quando silenciou diante dele,
quando enfrentou Pilatos e o seu poder de procurador, quando teve pena
do povo com fome e fez alguma coisa por ele, quando enfrentou os
vendilhões do templo, quando contou parábolas que questionavam os
religiosos do seu tempo, quando defendeu os pobres, quando questionou
duramente os ricos, estava fazendo política. Opinou sobre os
governantes, respeitou ou enfrentou, mostrou o papel de um grupo
religioso, pensou no momento e nas dores do povo e ensinou os seus
seguidores a servirem os outros.
O mesmo Jesus que ensinou a orar ensinou a servir e deixou claro que
não veio para ser servido, mas para servir. Não quis dinheiro, nem fama,
nem poder, mas quis ver a justiça acontecer já no seu tempo. Uma
leitura atenta dos evangelhos mostra Jesus não fechado nem sectário e
querendo melhorias para o seu povo. Não veio ao mundo apenas para orar e
ensinar a orar. Não foi morto porque orava, mas porque enfrentou os
donos do poder, porque exigiu justiça e propôs uma outra visão do ser
humano e da religião do seu tempo.
Não foi um líder político, mas não foi também apenas um líder
religioso. Foi irmão, foi Filho, foi libertador e amigo do povo. Mostrou
Deus como Pai, mas mostrou o ser humano como irmão com direitos,
especialmente os mais indefesos a que ele chamava de pequeninos.
Soa, pois estranho quando algum cristão afirme ser contra os
religiosos se meterem com política, Não só podem como devem. A historia
do cristianismo e de todas as religiões do mundo está marcada pela
política, bem ou mal exercida. E vai ser sempre assim. Os religiosos
sempre se meterão na política, inclusive os que desligam a televisão na
hora da propaganda, ou preferem ir fazer um sanduíche ou fritar pipoca
durante a fala do presidente ou de um candidato. A decisão de não querer
nada com política já é uma decisão política. Omitir-se e deixar que
qualquer um se eleja e qualquer grupo assuma o poder é uma escolha
política. Se não é possível viver sem tal escolha então aprendamos a
escolher e escolhamos direito!
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