NÃO É IDEOLOGIA. É SOBERANIA.
Não se trata de simpatia ou antipatia política por Nicolás Maduro.
Não se trata de concordar ou discordar de governos, sejam eles da América Latina, da Ásia, da África, da Europa ou da América do Norte.
Muito menos de afinidade ideológica, seja ela qual for.
O que está em jogo é algo muito mais elementar: soberania nacional e autodeterminação dos povos.
Aceitar como “normal” que um país invada outro, realize operação militar em território estrangeiro, sequestre um presidente no exercício do cargo, anuncie que passará a administrar as riquezas desse país e ainda tente vender tudo isso como “defesa da democracia” é romper com qualquer noção mínima de ordem internacional.
Se isso é aceitável, então nenhum país é soberano. Todos passam a viver sob tutela de quem tem mais armas, mais dinheiro ou mais poder midiático.
A contradição moral é evidente e escancara o autoritarismo: afirma-se que um presidente é um ditador e, sob essa justificativa, impõe-se de fora para dentro uma nova ordem política, sem consulta popular, sem processo interno e sem qualquer respeito às instituições nacionais.
Ou seja: para “combater” uma suposta ditadura, instala-se outra, desta vez estrangeira.
Isso não é democracia.
Isso é dominação.
Democracia não se constrói com mísseis, sequestros e ocupação militar. Democracia nasce da decisão dos povos — inclusive quando essa decisão desagrada potências econômicas ou militares.
Quando se aplaude esse tipo de ação, o que se está legitimando é algo profundamente perigoso:
– legitima-se a lei do mais forte;
– legitima-se a violação de fronteiras;
– legitima-se o saque de recursos naturais;
– legitima-se que governos sejam derrubados não pelo povo, mas por interesses externos.
Hoje é a Venezuela. Amanhã, qualquer país que não se alinhe à vontade do vizinho mais rico ou mais poderoso.
Não existe soberania “condicional”. Ou ela vale para todos, ou não vale para ninguém.
Por isso, a pergunta central não é: “Você gosta do governo venezuelano?”
A pergunta real é outra:
você aceita viver em um mundo onde países poderosos decidem, à força, quem governa os outros e chamam isso de justiça?
Os Estados Unidos da América, reiteradamente, se arrogam esse direito: invadir territórios, derrubar governos, sequestrar lideranças e impor, pela força, quem pode ou não governar. Não se trata de exceção, improviso ou reação emergencial.
Trata-se de método histórico recorrente, acionado sempre que interesses econômicos, geopolíticos ou estratégicos norte-americanos são contrariados.
É uma prática sistemática de intervenção, travestida de discurso moral, mas sustentada pela lógica bruta da força e da dominação.
Aplaudir esse tipo de ação é vassalagem explícita. Quem celebra a violação da soberania de outro país abdica, na prática, da própria soberania.
Transforma submissão em virtude e dependência em argumento político, como se tutela estrangeira pudesse ser confundida com civilização ou justiça.
Trata-se de um comportamento indigno, raso e falastrão — típico de quem confunde poder estrangeiro com liberdade e repete slogans imperiais como idiotas do primário mal feito, analfabetos políticos funcionais que só sabem lamber as botas dos ricos.
O cérebro de quem apoia isso não produz pensamento crítico; apenas reproduz eco. São papagaios de pirata, repetindo ordens alheias, como baratas protestando pelo direito de continuar sendo esmagadas por quem lhes dá chineladas.
A história é inequívoca: quem normaliza a dominação estrangeira quando ela acontece fora de suas fronteiras prepara o terreno para aceitá-la quando ela bater à própria porta.
E quem apoia o sequestro de um presidente em outro país demonstra estar disposto a tolerar a ruptura da soberania no seu próprio — o que, em qualquer nação minimamente séria, precisa ser reconhecido como o primeiro passo rumo à traição contra o próprio país.
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