AS BETS ESTÃO RETIRANDO DINHEIRO DA ECONOMIA BRASILEIRA



Existe hoje uma contradição concreta sendo percebida por amplos setores da sociedade brasileira. Os indicadores econômicos mostram melhora objetiva: crescimento do emprego, aumento da massa salarial, desaceleração de preços em itens essenciais e recomposição parcial do consumo. Ainda assim, a sensação predominante é de falta de dinheiro circulando na vida cotidiana.

A pergunta é direta: se a economia melhora, por que o dinheiro não aparece?

A resposta passa por uma questão central pouco debatido fora dos círculos especializados: liquidez na base da sociedade. Liquidez, em termos simples, é a capacidade do dinheiro de circular na economia real, financiando consumo, produção, serviços e atividades que sustentam o mercado interno. 


O que se observa hoje é uma distorção abusiva por parte das jogatinas legalizadas. A economia cresce nos indicadores macroeconômicos, mas parte significativa da renda popular não permanece nos circuitos produtivos e comerciais. Ela é desviada para um sistema paralelo de extração financeira predatória.

Elas atendem pelo pomposp nome de plataformas de apostas eletrônicas — as chamadas bets. O volume de recursos movimentado por esse setor atingiu patamares inéditos no país. Estimativas apontam para algo próximo de R$ 30 bilhões mensais, BETS RETIRAM 360 BILHÕES DE REAIS ANO DA ECONOMIA POPULAR BRASILEIRA  totalizando cerca de R$ 360 bilhões ao ano drenados da economia. 

Trata-se de um fluxo financeiro gigantesco, sequestrado da renda das classes trabalhadoras e de setores socialmente vulneráveis.


O TAMANHO DO ROMBO

Para dimensionar essa magnitude, basta uma comparação simples. O orçamento anual do Estado de São Paulo — o maior da federação - tem um orçamento total projetado para 2026 de 382 BILHÕES DE REAIS.

ORÇAMENTO DO ESTADO DE SÃO PAULO É DO TAMANHO DO ROMBO PROVOCADO PELAS BETS NO BRASIL

Ou seja, o volume drenado pelas apostas se aproxima do orçamento do maior orçamento Estadual do Brasil, porém sem contrapartida social, investimento público ou retorno econômico estruturante.

Diferentemente do consumo tradicional, que ativa cadeias produtivas, o dinheiro direcionado às apostas digitais não gera efeito nenhum na economia do país. Apenas concentra renda nas mãos dos donos deste modelo economico que é um crime contra a sociedade brasileira.

Ele não financia produção, não dinamiza serviços, não fortalece mercados internos. Ao contrário, é capturado por plataformas altamente concentradas, muitas delas com sedes operacionais e financeiras fora do país. O resultado é uma perda de liquidez sistêmica.

O setor varejista já identifica efeitos diretos dessa drenagem. Estimativas apontam perda de vendas na ordem de 100 BILHÕES DE REAIS por ano, somente em 2025, não por ausência de necessidade de consumo, mas por deslocamento do gasto das famílias para o circuito das apostas. Há, portanto, substituição de consumo real por um vício de jogatina eletrônica regulamentada.

O ROMBO QUE ROUBA DINHEIRO DO VAREJO, DO EMPREGO, DA ECONOMIA E DAS PESSOAS

As bets operam com lógica semelhante à de cassinos: funcionamento contínuo, estímulos comportamentais intensivos, promessa de mobilidade financeira rápida e probabilidade estatística desfavorável ao apostador. 


Esse modelo transforma renda disponível em fluxo financeiro concentrado, com forte componente de regressividade social, atingindo mais intensamente quem dispõe de menos recursos.

A discussão pública frequentemente se limita à tributação do setor. Embora a taxação gere arrecadação, ela não enfrenta o núcleo do problema: a drenagem estrutural da renda popular e seus efeitos sobre a liquidez econômica. O impacto negativo sobre consumo, endividamento familiar e circulação monetária permanece.

O avanço das apostas digitais produz efeitos que extrapolam o entretenimento. Afeta a dinâmica do mercado interno, aprofunda desigualdades, compromete o planejamento financeiro das famílias e desloca recursos da economia produtiva para circuitos de alta concentração. 

Tudo isso com massivo investimento em propaganda em todos os tipos possíveis de meios de comunicação: Televisão, Internet, jornais, influenciadores digitais e demais meios de comunicação.

Trata-se, portanto, de um fenômeno econômico com implicações sociais amplas, que exige debate público à altura de sua dimensão.


Por fim, e mais importante: vejam quem votou a favor ou contra a instalação dos cassinos virtuais em formato de apostas esportivas no congresso nacional:

Como votaram os deputados federais para a aprovação das BETS



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

RESPOSTA AO BISPO DE NATAL, DOM JOÃO DOS SANTOS CARDOSO ,

O ROUBO DOS JUROS DO BANCO CENTRAL EXPLICADO DA FORMA MAIS SIMPLES POSSÍVEL

VOTO DOS DEPUTADOS FEDERAIS POR ESTADO NO PL DA DEVASTAÇÃO (Sim, Não e Ausentes)